o dique do castor

2006-05-29

 

ONDE  ESTÁ  A   COWZINHASS?...


Faço aqui um apelo a todo o reino animal, vegetal, anfíbio e mineral no sentido de procedermos à descoberta da nossa vaca Cowzinhass - como era carinhosamente tratada pelas vacas amigas -, desaparecida neste mês de Maria em Lisboa, um dos grandes ícones da nossa arte contemporânea radical, uma das nossas melhores atracções turísticas e dos mais valiosos postais de boas vindas mostrados até agora no nosso país.

Eu sei que o que não falta por aqui são réplicas e cópias de vacas infiéis a contrafazerem as genuínas. Também sei que passados uns dias, alguém apareceu com uma vaca contrabandeada de Espanha, a imitar a nossa vaca alfacinha. Mas a nossa, a autêntica, a original, pesava cerca de 400Kg, era azul, tinha grandes tetas, um rabo do caraças e tresandava a caca, que não se podia.

Era uma das melhores vacas de Lisboa e como tal, ninguém tinha o direito de a aliciar, de a roubar, de a raptar, de lhe fazer propostas indecentes... ou de a comer contra sua vontade.

Teme-se que grupos radicais da extrema direita tenham raptado a Cowzinhass ... porque, para além dela possuir 2 "SS" nos finalmentes do nome, tinha uma voz parecida com a vaca Grace (do filme "Nem que a vaca tussa"), se é que me faço entender…

Teme-se que a Cowzinhass nos tenha mandado a todos bardamerda quando se apercebeu que não podia ver o mundial de futebol na rua e esteja a esta hora já na Alemanha em bancada presidencial.

Teme-se que a Cowzinhass tenha pedido estatuto de refugiada à Suiça e esteja agora, com o star Castor, a pastar num daqueles verdes prados de onde sai o bom e generoso chocolit, de que as portuguesinhas tanto gostam, ehe,ehe,ehe...

Teme-se que tenham feito uma clonagem da Cowzinhass como fizeram à ovelha Doly e tenhamos agora algo parecido com uma Cúzinhass....

Bom… Teme-se o melhor e o pior... O mundo está em estado de choque desde que se soube que afinal a verdadeira Cowzinhass continua a monte...

Os órgãos de comunicação social estão em alerta máximo e a polícia está a desenvolver todos os esforços para a encontrar, nomeadamente passando revista a indivíduos malcheirosos, a sacos com "merda" suspeita e ao pessoal do Rock in Rio...

A brigada dos "mártires de al-vacsa" mostra-se insatisfeita com as investigações e avança com formas de luta radicais: este grupo extremista, enfiando bonés do mundial com o dístico "Marca lá ó Cristiano senão a Merche caga em ti!!!" e bandeiras nacionais com uma pontinha de inveja, fez já uma manifestação no Campo Pequeno, último sitio onde a vaca tresmalhada foi vista, com cartazes onde ainda, pese a porcaria, se pode ler:

"Oferecem-se quotas leiteiras de proveniência seleccionada e um "Muito Bom" do SIADAP, a quem souber do paradeiro da Cowzinhass original",

ou

"Sr. Carmona! Ajude a vaca a pôr-se no seu lugar!!!"


E agora um Apelo: "Por favor, SOLIDARIEDADE PARA COM AS VACAS DE LISBOA E DA LINHA!!!


2006-05-22

 

APETITES...


Quando alguém nos diz: - "Bom apetite!", pode estar a querer dizer: - "Espero que vocês se deliciem com o repasto, gozem muito, não façam muito chinfrim e vão bardamerda..."

Ou seja: quando se fala de "apetite", talvez a conversa deva ser entendida de uma forma apeladora ao trabalho dos neurónios, de modo a que a massa encefálica (fá... quê???) atrase a queda do cabelo, não seque e efectue movimentos peristálticos capazes de conduzir a luz do conhecimento ao nosso paupérrimo espírito... e juro que isto não é pregação da igreja que sofre ou do santo daime, da igreja do despertar ou até de uma qualquer seita mediúnica espírita...

Nesta linha de raciocínio, não posso deixar de referir que, infelizmente, há quem tenha distúrbios do apetite. É verdade!.. Normalmente, tal desiderato ataca mais os idosos e os adolescentes entre os 14 e os 18 anos... excessos para menos ou para mais...

Para quem sofre de apetite insaciável - aquele sofrimento agridoce que ensaiamos quando estamos a ter uma réplica do caraças ao galanço - poderá ser um sucesso a utilização dos chamados moderadores do apetite ou anorexígenos, capazes de tudo para fazerem reduzir o desejo de comer... exemplo: antever o futuro com toda a família dela(e) lá em casa ao fim-de-semana...

Depois, há os inibidores do apetite. Este género, que tantos já tomaram para mal dos pecados (e eu a dar-lhe outra vez, hem?...), actua sobre o córtex cervical e é uma baita de uma dor aguda que nos põe K.O. num ápice. Exemplos: uma garina, mesmo à mão de semear e a piscar-nos o olho cheio de lascívia e nós com uma bebedeira de caixão à cova e com a vista turva; ou então uma garina, mesmo à mão de semear e a piscar-nos o olho cheio de lascívia, que, mais tarde e em local recôndito, descobrimos não passar de um travesti engalanado...

Ainda há os intitulados aguçadores do apetite (ex.: os tais filmes do "oh!... si... cariño... si... si..."); os estimuladores do apetite, os quais costumam ser servidos entre os dedos; e os célebres tónicos para abrir o apetite, que se empregam, tal como o próprio nome indica, para fazer os inofensivos mas electrizantes intermezzos...

The last but not the least, temos a incontornável falta de apetite crónica, que acaba por dar a todo o pessoal mais cedo ou mais tarde. Estou, claro, a referir-me à excêntrica e não menos famosa P.D.I...


Já provou o seu Toddy hoje? Ora rôda-se para o cacau, ehe,ehe,ehe...!!!

E agora um Apelo muito sentido: " Por favor, NÃO TIREM O 10º LUGAR DO PROTOCOLO À IGREJA!!!"



2006-05-13

 

O GRANDE TONI...


Ó Leidi!!! São só faive eurós!!! Faive eirós!!! Verichipe!!!
- disse Tony, conhecido lá no Bairro do Fim-do-Mundo, pelo "Safardanas"

O Tony sempre fora um "melro", um vadio… gostava de fumar paivos de bico amarelo

Dava grandes baforadas, respirava fundo e soprava o fumo travado com força… Às vezes, não aguentava e desatava a tossir e aquilo acabava sempre no mesmo: escarreta borda fora, com um aparato que fazia espanto a qualquer manguela do exército, especialista em obuses…

Sim, o Tony não era nenhum caga-tacos… e as garinas andavam sempre a desafiá-lo para ele cantar umas musiquinhas com direito a batidela de calcanhar e olés pelo meio… e ele, ria-se, cofiava o bigode, ajustava o chapéu e dizia: Tais aqui, tais a levar com ela, ai tais, tais

Depois de ter berrado para uma Leidi de baton rouge e soutien 42, acenando-lhe com uma t-shirt de "marca" e de lhe ter tirado as medidas com aqueles olhos que a terra lhe há-de comer, encolheu os ombros e meteu a mão ao bolso. Tirou um papel amarfanhado, alisou-o com cuidado e sacudiu-lhe as pontas. O tipo de escrita, não enganava, era de mulher… e o cheiro que dali saía a Patxoli, dava-lhe umas ganas tais, que até sentia calafrios pela espinha acima e calores pela espinha abaixo…

Leu outra vez: "Toni, quando vieres alevantar a roupa da tenda, ispreita por debaxo, que vais lá encontrar o que te faz falta!"

Toni começava já a antever a coisa!... Ia ser assim: ia de mansinho até à tenda, entrava em bicos de pés... quando ela menos esperasse, dava-lhe logo ali com o jackpot e, com as gadanhas a saber a morangueiro da tasca do Zé do Pipo, enfiava-lhe a sorte grande no boletim e finalizava com um loto2 e mais o Joker... Rôda-se!..., pensava ele para com os seus botões de lata dourada, com tanta malta a ter sorte ao jogo, porque é que ele não haveria também de fazer bingo aos 15 números e arriscar faiveurós na chance premiada???

Riu-se, tentou assobiar de lado pelo buraco que tinha no lugar do canino e dirigiu-se, passo estugado, até à entrada da tenda… Só naquele momento viu lá dentro o Quaresma, o homem da Paula Sara, a gaja que o andava a atazanar há três quinze dias… Estava fodido!... Entrou e logo depois saiu a ganir, reza a história, com menos um testículo, por acaso, o esquerdo!!!!

Mas vivo, rôda-se!!!...


E agora, um Apelo: " Por favor, USEM CAMISINHA!!! "


2006-05-07

 

TRIBUTE: PERFECT WOMAN & CEDOFEITA'S HAND-VISES... O CASTOR DAS BOTAS


Era uma vez um velho tendeiro cigano, que, sentindo estar já com os pés para a cova, resolveu chamar os seus 3 filhos, cada um filho de sua mãe, para lhes dar de herança os seus bens: ao mais velho, de nome Toni, o "Safardanas", forte e atlético, deu-lhe um lagar de vinho a martelo. Ao do meio, Jaquinito, o "Sensível", amaneirado e de porte fino, deu-lhe um burro com 3 anos e ao mais novo, Carangue, o "Notredame" (chamou-lhe assim porque tinha nascido meio corcunda, com os pés tortos, bilha de lado e pernas à caranguejo), deu-lhe um castorinho fedorento e oleoso, de nariz arrebitado, dente tipo pasta dentífrica e cauda de raquete.

O filho mais velho, agradeceu de pé ao moribundo, pediu-lhe a bênção de S. Faustino Caminhante e Mártir e deu de frosques antes que viesse a bófia e o levasse de rastos para a esquadra da Amadora.

O filho do meio, deu meia volta, abanou as ancas, alisou as melenas desgrenhadas e sebosas, gritou um olé que fez estremecer o pobre do velho e o pôs com um ataque de tosse convulsa e saiu a menear-se enquanto o agonizante se benzia com ambas as mãos e fazia figas com os dedos dos pés.

O Carangue, agarrou no bicharoco pelas goelas e despediu-se do semi-morto com um breve aceno, enquanto o castor, já meio roxo, fazia "ffff…", como quem diz "rôda-se", mas com todos os éfes e daqueles grandes e bem audíveis.

Quando o Carangue pousou o castor no chão para o pisar com as suas botas cardadas, ia tendo um ataque cardíaco! Surpresa das surpresas, o pequeno castor começou a falar com ele: "Ó estúpido do catano, dá-me um saco de óbulos e umas putas de umas botas" - gemeu ele ainda com dores na pescoceira- "que eu dou já a volta à herança, rôda-se!!!". E o crustáceo, admirado com tamanha "donaire" roedora (ehe, ehe, ehe) lá lhe satisfez o pedido, pelo que o star-beaver fez-se de imediato à floresta, enquanto pensava para os seus pêlos: "Rôda-se! Entre tanto manguela que há por aí, logo havia de calhar com esta azémola…".

Bom, como era muito esperto, apanhou logo uma mocha de pena arrebitada que andava por ali a petiscar gaivotas da ria e outros quejandos animais do mais que perfeito que há à face da terra e arredores e meteu-a no saco das esmolas. A mocha bem piou, piou, piou, mas daí nada resultou para o resto da história.

Com a mocha às costas a pedir-lhe perdão por tudo e por nada, seguiu para o palácio real para ser atendido pela Rainha Perfect Woman. Quando lá chegou, os súbditos da Mestra das artes do rodízio tiveram que o meter numa banheira de água de rosas e sabão macaco extra especial para conseguirem tirar-lhe parte do óleo, lavaram-lhe as dentuças com dentaguard, esfregaram-lhe as fuças e as patas, escovaram-lhe o pêlo e só depois o mandaram entrar nos aposentos da Rainha.

- Minha Majestade - disse o gabiru com aqueles dentinhos de fora - venho da parte do meu amo, o Tenazes de Cedofeita, oferecer uma mocha real, de penas reais, patas reais, piar real e sabedoria mui digna.

A Rainha ficou muito sensibilizada com a oferta de tamanho roedor, o qual se revelou de uma sabedoria incomensurável e quiçá infinita e porque não ainda, de uma grande sensatez e mandou agradecer a oblação ao Sr. Tenazes, através de tão curioso, raquetiano e predilecto animal.

Daí em diante foi um ver-se-te-avias, o bom do castor repetiu a proeza várias vezes: só gatos escaldados foram uma catrefada deles direitinhos para o palácio de sua Gentil e Graciosa Majestade: uns eram gatos de olhos verdes, outros vindos do Canadá, outros até quicos lhes chamavam e outros ainda, bufa-gatos. Mas o roedor também apanhou uns pássaros-rascunhos e algumas tralhas, uma animaleja e ainda uma gaivota, uma série de míscaros para mascar e meia dúzia de grilinhas para o que desse e viesse... e a Rainha, maravilhada com tamanhas dádivas, sempre a agradecer e a dizer: "Um dia destes tenho que conhecer o teu amo, ó rói-rói!".

Então, como já estava previsto nos astros, um belo dia, o bom do castor, sabendo que a Rainha ia dar uma volta por certa região do reino, convenceu o seu dono Carangue a tomar banho num rio que ficava por lá perto, não sem antes o ter levado a uma clínica de estética, a uma cósmetica capilar e a um consultório de beleza corporal para pôr o nosso homem como "il faut". Quando ouviu a carruagem real aproximar-se, o castor desatou a gritar:
- "Socorro, socorro, o meu amo, o Tenazes de Cedofeita, está a afogar-se!!!"

A rainha mandou logo parar a carruagem e salvou "le Main-étaux de Tôt-fait". E virando-se para ele, logo lhe disse, acalorada: Senhor, que encantador vós sois… e que bem apessoado… permiti-me que vos apresente a mim própria, propriamente dita, uma princesa mais que perfeita.

- Senhora, minha rainha, eu não quero mais nada nesta vida, o que eu quero é tirar as teimas e saber se as rainhas também os têm no sítio. Convido-vos para ir ao meu nobre castelo.

- Que assim seja, disse a nobre dama, já com a canícula a cem à hora e os vapores do rego a começarem a tocar a música intitulada "O Forró do Sapateiro".

Mas ainda faltava o património do Marquês incluir o tal "nobre" castelo. Vai daí, o star-beaver chegou ao palácio do gigante, que ficava perto do reino de Mara-Kujá e perguntou-lhe como quem não quer a coisa: - Olha lá ó panhocas, é verdade que te consegues transformar em qualquer coisa se assim o quiseres e estiveres para aí virado?

- Sim, é verdade, disse o gigantone cheio de prosápia e vaidade bacoca.

- Então transforma-te lá em folha de nogueira, a ver se és capaz, ó ranhoso de merda, disse-lhe o sábio marau.

Assim que o gigante se transformou naquela coisa, o castor - Zás-Pás-Trás-Catrapás - rodeu-o ali mesmo à maneira, comeu a folhinha de nogueira tenrinha e preparou assim o castelo para receber o corcunda e la belle de jour.

E prontos, para que saibam, 69 minutos depois de se conhecerem bem, quer-se dizer, de se vistoriarem de alto abaixo e por dentro e por fora, de se lambuzarem como quem engole sapos à bruta e depois os regurgita e de fazerem trinta por uma linha e quarenta por um cabo d'aço, já estavam tão apaixonados, tão apaixonados, que até marcaram loguinho ali o dia do casamento.


Como não podia deixar de ser, deste casamento resultou:

Um tesão do carago.


E os pombinhos doravante assim chamados, foram muito felizes e fizeram tantos 69, tantos 69, que a coisa começou a enjoar, o que os fez voltar definitivamente à posição do missionário, coisa que até nos dias de hoje se pode ainda ver quando anoitece lá para as bandas da Torre dos Clérigos ou do Palácio de Cristal…

Quanto ao castor, esse teve direito a estátua de bronze junto à Igreja de S. Martinho de Cedofeita e agora é ali mais adorado que o carvalho.

FIM!

E agora, um Apelo: " Por favor, DISPAM-SE DE PRECONCEITOS!!! "




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